A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Norte, deteve em Vila Nova de Gaia um homem de 55 anos pela presumível autoria de crimes graves de abuso sexual de crianças e de menores dependentes. Os crimes, que ocorreram de forma continuada entre finais de 2019 e o final de 2025, visaram três irmãos — duas jovens e um rapaz — que têm atualmente 20, 16 e 12 anos de idade.
O suspeito, um reformado por invalidez com antecedentes pelo mesmo tipo de crime, aproveitou-se da proximidade com a família das vítimas e da vulnerabilidade económica do agregado para consumar os abusos.
O esquema de manipulação e silenciamento
A investigação da PJ revelou um cenário de manipulação psicológica e aproveitamento de fragilidades:
- Aproximação: O contacto inicial entre a progenitora das vítimas e o arguido ocorreu através das redes sociais. A proximidade geográfica facilitou o convívio frequente entre as famílias.
- O “Refúgio” Falso: Os menores frequentavam regularmente a casa do suspeito para brincar com o filho deste, pernoitando ali diversas vezes, muitas vezes sem a supervisão da mãe.
- Chantagem e Suborno: O arguido utilizava o seu ascendente sobre as crianças, oferecendo bens materiais em troca dos atos sexuais e recorrendo à chantagem para garantir o silêncio.
- Vulnerabilidade Acrescida: A situação era agravada pela imaturidade dos menores e pelas dificuldades financeiras da família.
A coragem da irmã mais velha foi decisiva
Os abusos, que aumentaram em gravidade e frequência ao longo de seis anos, só cessaram no final de 2025. A irmã mais velha (atualmente com 20 anos e com um défice cognitivo), num ato de enorme coragem, relatou a situação à mãe. A denúncia imediata às autoridades locais permitiu a intervenção da PJ, que reuniu as provas necessárias para a detenção fora de flagrante delito.
Medida de Coação: Presente a primeiro interrogatório judicial ontem, o arguido viu ser-lhe aplicada a medida de coação mais grave: prisão preventiva.
Este caso reforça a importância extrema de estar atento a sinais de mudança de comportamento em menores e de validar os seus relatos, independentemente do tempo decorrido.
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