A chegada do Metro à Trofa, um processo que se arrasta há mais de duas décadas, conheceu um novo capítulo decisivo. O Presidente da Câmara da Trofa, Sérgio Araújo, confirmou ter recebido garantias da Metro do Porto de que a expansão será uma realidade em 2026, mas através de uma solução mista: metro ligeiro (em carril) até à freguesia do Muro e Metrobus (BRT) até ao centro da cidade (Paradela).
A decisão, embora apresentada como um passo “irreversível”, está a gerar um aceso debate político sobre o que foi efetivamente aprovado no Orçamento de Estado (OE) para 2026 e a qualidade do serviço prometido aos trofenses.
O Projeto: Metro Ligeiro + Metrobus
O novo figurino da Linha da Trofa, apresentado pelo Presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, assenta num modelo de transição:
- Troço ISMAI – Muro: Continuação do sistema de metro ligeiro em carril.
- Troço Muro – Paradela: Ligação em Metrobus (BRT) em canal segregado.
- Investimento: Estimado em mais de 150 milhões de euros, com 100 milhões já garantidos através do programa Sustentável 2030.
- Prazos: O concurso público para a conceção e construção deverá ser lançado na primeira metade de 2026.
Para Sérgio Araújo, aceitar o Metrobus é uma questão de pragmatismo: “Não vamos aceitar que ponham em causa um investimento crucial por questões de semântica. É isto que evita estarmos mais 20 anos à espera”.
A Controvérsia: “Semântica” ou “Transporte de Segunda”?
A discórdia centra-se na redação do Orçamento de Estado 2026, que refere a ligação em “metro convencional”.
- A Visão da Autarquia: O autarca da Trofa desvaloriza a terminologia, sugerindo que os deputados usaram “convencional” por desconhecimento, querendo referir-se a “metro em carril”. Garante ainda que a infraestrutura de Metrobus será construída de forma a permitir, no futuro, a adaptação para carris.
- A Crítica do PCP: A concelhia comunista, liderada por Cristiano Castro, fala em “desrespeito” pelas decisões da Assembleia da República. O PCP rejeita o Metrobus, classificando-o como uma “alternativa de segunda” que defrauda as expectativas da população que lutou pelo comboio/metro durante 22 anos.
- A Sustentabilidade da Metro: A empresa defende que o transbordo no Muro para o Metrobus é o que garante a “sustentabilidade da operação”, assegurando tempos de resposta eficazes e uma via totalmente dedicada, longe do trânsito das estradas nacionais.
Balanço da Operação
| Ponto Crítico | Situação Atual |
| Financiamento | Candidaturas ao “Sustentável 2030” já submetidas. |
| Interface | Transbordo obrigatório na freguesia do Muro. |
| Lançamento do Concurso | Previsto para o 1.º ou 2.º trimestre de 2026. |
| Extensão | Ligação até ao interface rodoferroviário Trofa/Paradela. |
A Metro do Porto submeteu também a candidatura para a Linha de Gondomar II (Dragão–Souto), sinalizando que estes dois projetos são as prioridades imediatas da expansão da rede no Grande Porto.
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