Em Matosinhos, a paciência dos utentes dos transportes públicos está a ser testada ao limite — e não é pelo atraso dos autocarros, mas pela ausência literal de um teto onde esperar por eles. Desde julho que 244 paragens do concelho se resumem a retângulos amarelos pintados no chão com a inscrição: “abrigo em substituição”.
Cronologia de uma “Guerra” Publicitária
O problema não é falta de planeamento, mas sim um imbróglio jurídico e burocrático que se arrasta há anos entre gigantes do mobiliário urbano.
| Ano / Período | Evento | Estado |
| 2022 | A JC Decaux perde o concurso público para a gestão dos abrigos. | Início do conflito. |
| 2022 – 2024 | Processo de impugnação judicial da decisão do concurso. | Impasse total. |
| Julho 2024 | Retirada definitiva dos 244 abrigos da antiga concessionária. | Passageiros ficam “ao relento”. |
| Outubro 2025 | Anunciada a instalação dos novos equipamentos. | Prazo de 75 dias fixado. |
| Fevereiro 2026 | Prazo de conclusão ultrapassado em muitas localizações. | Situação atual. |
75 Dias que Parecem Séculos
Quando a instalação foi finalmente anunciada em outubro de 2025, o prazo de 75 dias trazia a esperança de que o novo ano começasse com proteção contra as intempéries. Contudo, chegados a meados de fevereiro, a realidade no terreno, especialmente em zonas como Leça da Palmeira e o centro de Matosinhos, é de obras incompletas ou paragens ainda inexistentes.
O impacto no dia a dia:
- Exposição total: Crianças, idosos e trabalhadores enfrentam o vento marítimo e a chuva típica do inverno nortenho sem qualquer barreira física.
- Informação ao utente: A ausência de painéis de informação (horários e tempos de espera) que normalmente integram os abrigos dificulta a gestão do tempo de quem viaja.
- Incongruência urbana: Enquanto a cidade se moderniza, a infraestrutura básica de mobilidade regrediu décadas devido a litígios comerciais.
A Tinta Amarela não Agasalha
A autarquia de Matosinhos tem sido pressionada para acelerar a colocação dos novos equipamentos, mas o processo de substituição total de uma rede de mobiliário urbano é complexo, envolvendo ligações elétricas e fundações que, em muitos casos, ainda estão por concluir pela nova empresa concessionária.
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