O Auditório da Universidade da Maia recebeu, esta quarta-feira, a apresentação pública do estudo científico que avalia o projeto “Música a Partir do Berço”, promovido pela Fundação do Conservatório de Música da Maia. A investigação confirma um impacto “significativo” da música no desenvolvimento global de bebés em contexto de creche.
O trabalho, conduzido pela equipa de Psicologia Escolar e Educação da Universidade da Maia, analisou dados recolhidos ao longo de vários anos, envolvendo observação direta, grupos focais, entrevistas e informação agregada de mais de 300 crianças participantes. A sessão contou com a presença do reitor da Universidade da Maia, José Gomes Ferreira, do presidente da Maiêutica, Domingos Oliveira e Silva, e de estudantes da instituição.
Segundo a coordenadora do estudo, Vera Coelho, as sessões musicais promovem níveis “muito elevados” de envolvimento das crianças, um indicador central para a aprendizagem e para o desenvolvimento cognitivo e social. “Verificou-se um aumento consistente do envolvimento ao longo do ano, bem como elevados níveis de bem-estar emocional durante e após as atividades”, destacou.
As educadoras participantes relataram melhorias visíveis na comunicação, atenção, linguagem, motricidade e capacidade de imitação – competências consideradas estruturantes na primeira infância. O estudo sublinha ainda que muitas crianças reproduzem espontaneamente momentos das sessões musicais ao longo do dia, sinal de consolidação das aprendizagens.
A coordenadora pedagógica do projeto, Ana Sacramento, agradeceu o empenho das equipas e o apoio das creches que acolhem semanalmente as atividades. “Este projeto é possível graças ao trabalho dedicado de todos e à confiança das instituições desde o primeiro dia”, referiu.
Em representação do Conselho de Administração da Fundação do Conservatório de Música da Maia, Victor Sampaio Dias afirmou que a parceria com a Universidade da Maia permitiu validar cientificamente o impacto do projeto. “Os dados agora divulgados são essenciais para assegurar a continuidade e expansão da iniciativa”, sublinhou. Adiantou ainda que está em preparação uma candidatura ao Portugal 2030 para garantir a sustentabilidade financeira do programa e alargar a intervenção ao pré-escolar.
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