Entrevista com Amândio Cunha, presidente do Núcleo Cultural e Recreativo de Valongo

Na passagem dos 38 anos do Núcleo Cultural e Recreativo de Valongo, o Jornal Novo Regional quis saber um pouco mais desta coletividade valonguense e por isso aqui fica a entrevista ao presidente da Direção desta coletividade, Amândio Cunha.

O dirigente revela ao JNR que “neste momento, a responsabilidade é maior. Atingimos um patamar em que a situação do clube obriga a ter uma responsabilidade maior. O clube tem atualmente cerca de 300 atletas. No que diz respeito ao crescimento tem sido uma constante.  Os projetos são grandes e toda esta direção, que comigo assumiu há um ano e meio, com um projeto de envolvência de todos para elevar o clube. Os eventos que nós fazemos têm tido esse reflexo e o patamar que nós atingimos, cada vez é maior. O Núcleo é uma marca e por isso a exigência é maior. Estamos obrigados a trabalhar mais e melhor e a procurar a melhor estrutura. Tem de haver renovação para o clube não estagnar”.

Neste momento núcleo é composto pelas modalidades de patinagem artística, ténis de mesa, basquetebol, futebol, futsal e as danças.

O NCRV tem um elenco diretivo que é responsável por todas as modalidades, mas a gestão interna de cada secção compete a cada uma das próprias secções. Diz Amândio Cunha que “nós, a direção do Núcleo, estamos cá para colaborar com o que for necessário. Por exemplo as verbas que são atribuídas ao basquetebol, são entregues ao basquetebol, e com as outras é a mesma coisa. Antigamente não era assim. Desta forma as secções podem crescer”.

Uma marca do NCRV tem sido o Ténis de Mesa, com bons resultados, sobretudo a nível da formação. Neste momento os treinos são na Escola da Ilha, e, refere o dirigente “depois de um compromisso da Câmara de Valongo, o Núcleo esta à espera da melhoria das condições, sendo que os resultados podiam ser melhores se pudéssemos ter uma estrutura mais formada. Temos feito a divulgação da modalidade. Ainda recentemente o treinador do ténis de mesa, foi à Escola de Susão fazer uma demonstração.

O problema de Valongo é falta de espaços de desporto, esperando que com a passagem das escolas para os municípios, os pavilhões estejam mais abertos para o desporto”.

O ténis de mesa tem cerca de 50 atletas, com títulos conquistados, sendo a aposta, na formação de jovens.

O clube organiza também duas provas anuais de ténis de mesa, o masters e o torneio da amizade “sempre com grande sucesso e participação”.

Outra secção âncora do NCRV é a do basquetebol.

Amândio Cunha era o seccionista, mas decidiu afastar-se para exercer as funções de presidente. Trata-se da maior secção do clube, com cerca de duas centenas de atletas. “Estamos a reiniciar a formação do basquetebol do NCRV, com atletas oriundos do minibasquete.

Diz o dirigente que “nós (dirigentes e alguns atletas) eramos da formação da Junta de Campo e Sobrado, mas como era só para jovens mais carenciados, e no sub 16 não havia equipa, pois o propósito da Junta não era esse, fomos por isso à procura de um clube novo. Viemos então para o Núcleo. Havia também necessidade de alguém do basquetebol ir para a direção do clube”.

Amândio Cunha diz que “o clube possuía basquetebol feminino, e tinha pouca história no masculino Um dos últimos jogadores Núcleo, Vítor, regressou, e o clube começou outra vez o basquetebol masculino, cresceu, e organizamos o torneio Vallis Longus.

As equipas seniores são algo dispendiosas, mas são importantes para que os jovens vejam a identidade do clube e possam querer lá chegar. E por esta razão é que, muitas vezes, a formação paga as equipas seniores, para que um dia os jovens possam querer lá chegar. Trata-se de um investimento importante.”

Ainda sobre o basquetebol, há dois anos foi pensado um projeto, apresentado pelo município de Valongo, pelo Núcleo e pelo CPN para a criação de uma equipa na 1ª liga de basquetebol feminino. Nesse sentido o treinador (e selecionador nacional) Agostinho Pinto, passou pelo Núcleo, na coordenação do basquetebol, durante dois anos. Diz o dirigente que “o propósito era colocar uma equipa do concelho na Liga, com consistência, mas o município não quis”.

No sector masculino, há ex-atletas a tirarem o curso de treinador, e no clube temos três atletas internacionais, alunos da Cespu.

O projeto das escolas, que começou há dois anos, numa iniciativa do NCRV, teve sucesso, e foi realizado no agrupamento Vallis Longus, no primeiro ano, e posteriormente em Campo.

O dirigente do NCRV fala também do importante apoio dos pais no sucesso da secção.

O futsal sofreu algumas alterações, com a ida de vários atletas para outro clube do concelho. Para já a secção apenas tem as categorias de juniores e veteranos, “também porque não há espaço para mais atletas, e os treinos são em Campo e Sobrado. Para jánão temos equipa sénior, devido à falta de recursos. Os veteranos são antigos atletas do clube”.

De alguma maneira recente é o futebol do NCRV. “O Tiago Rocha dinamizou o futebol, reunindo um grupo de amigos. Conseguiram uma vitória magnifica na Taça de Futebol Popular de Valongo. Tudo começou com uma brincadeira que o Tiago e mais pessoas levaram a cabo. Eles queriam um clube, para treinar e foram recebidos no Núcleo”.

Outra secção com sucesso é a da Patinagem artística. Trata-se de uma das modalidades mais antigas do NCRV, que atualmente conta com 70 atletas, sobretudo na formação. Refere Amândio Cunha que “brevemente vamos ter equipa sénior, aproveitando os valores da formação. Tudo começou com o trabalho de três pessoas, o professor Raul, o Furtado e o Melo, e neste momento são 12 os responsáveis. Esta secção também sofre com a falta de espaço. Há défice de espaços para o treino, e é o clube que paga as horas em pavilhões escolares. Mas é um trabalho que tem dado frutos e ainda recentemente ficamos contentes com o reconhecimento por parte da vice-presidente da Associação de Patinagem do Porto”.

O NCRV tem também um sector importante queé o da dança. São dois estilos diferentes, o hip-pop com Excellence Crew com direção de Gil Carvalho e as Star Dance, mais viradas para a dança contemporânea. A propósito de Excellence Crew, refira-se a organização do evento Excellence Breaking Battle 2019, que decorre dia 1 de dezembro nas instalações All Academy.

As duas danças têm 55 pessoas a treinar, ensaiando na sede do clube.

Por falar na sede, situa-se na Rua Sousa Paupério e tem sido objeto de melhorias com pequenas intervenções para tornar mais funcionais as instalações. “Estamos a melhorar a sede, com o apoio da junta de freguesia retiramos algum material e tornamos as salas mais adequadas. No espaço funciona o bar do clube, para sócios e brevemente irá também ter uma sala de troféus, que bem precisamos”, diz o presidente ao JNR.

O Núcleo possui atualmente cerca de 1500 sócios pagantes. Promete o dirigente “vamos tentar aumentar esse número, até porque estão a ser estudadas cada vez mais vantagens com descontos diversos”.

Para divulgar a imagem do clube, o NCRV está a preparar uma série de transmissões online de atividades diversas.