Projeto ASA (Acreditar Seniores Ativos) a crescer

Manuela Duarte é a vereadora com o pelouro da Ação Social da Câmara de Valongo, um pelouro que tem no apoio aos mais velhos um dos vetores mais importantes.

A edilidade valonguense está a dinamizar o projeto ASA (Acreditar Seniores Ativos) que envolve atualmente cerca de 670 seniores e cujo objetivo, segundo a autarca, é chegar ao milhar brevemente, já que o executivo aprovou o alargamento para evitar listas de espera.
Os interessados na inscrição têm de possuir o cartão sénior (mais de 65 anos), mas a vereadora refere que “vai ser criado um projeto para quem tem mais de 52 anos e está desocupado e que vai dar oportunidade às pessoas de trabalhar outras áreas que não existem atualmente (exemplo: a vida saudável através da alimentação e a empregabilidade). O desejo era conseguir uma turma em cada academia”. As inscrições podem ser efetuadas nos espaços do cidadão e setor social da Câmara, por exemplo.
Mas o que é o projeto ASA? Responde Manuela Duarte que “quando chegamos havia o PAS (Programa de Ação Sénior) e vimos que era uma boa ideia e que tinha asas para andar ou voar. Daí mudamos o nome para ASA e começamos a focar-nos muito nele. O programa tem as Academias Seniores, as Colónias Balneares e o Vamos ao Baile, como as três grandes áreas de atividade”.
As colónias balneares envolvem cerca de 200 seniores, os bailes (quinzenais e alternadamente em Valongo e Ermesinde) com cerca de 200 pessoas por baile, tendo inclusive já surgido casamentos.
Mas o projeto mais importante é a Academia Sénior, que funciona nos cinco territórios do concelho (Alfena, Campo, Ermesinde, Sobrado e Valongo). Inclui 14 atividades, desde o desporto à informática, passando pela música, danças de salão, pintura decorativa português, inglês, matemática e outras.

Serviço totalmente grátis


Questionada sobre a reação dos utentes, Manuela Duarte diz que “é sempre muito positiva e às vezes arrepiante. Ainda recentemente, quando fomos à Malafaia houve gente a dizer que era o dia mais maravilhoso da vida delas”. Continua a autarca : “há gente que deixou de ir tantas vezes ao médico, porque dizem que deixaram de ter tempo para estarem doentes”.
Em termos de visibilidade uma das facetas da Academia é o grupo musical, porque se trata da maior turma e que efetua atuações ao vivo, tendo estado recentemente no Porto Canal, por exemplo. “Temos uma página no Facebook e pelas mensagens vê-se que eles ficaram todos contentes com esta participação”, diz a vereadora da Ação Social.
Sobre novos projetos, Manuela Duarte refere que, tudo está relacionado com a questão financeira. As despesas atuais rondam os cem mil euros anuais, sendo que valor vai aumentar com o alargamento. “Estamos a pensar numa candidatura para ajudar à sustentabilidade do projeto, uma vez que as pessoas não pagam absolutamente nada, antigamente ainda ajudavam com os materiais de pintura e artes decorativas, mas agora ninguém paga nada. Estas pessoas já pagaram muito ao logo da vida, agora têm direito a que tudo seja gratuito”, salienta a nossa entrevistada.
Estas ações implicam a colaboração de monitores e professores externos à autarquia, mas Manuela Duarte destaca o apoio de sete funcionários da autarquia e da secção de desporto responsável pela colocação de professores dessa área.
A vereadora afirmou ainda ao JNR que “para além do ASA lidamos com outros problemas sociais destas pessoas, muitas delas com reformas curtas e outros problemas”.
Na restante área de atividade, uma das vertentes do trabalho da responsável pela Ação Social tem a ver com a intervenção nos bairros sociais, “todos os bairros sociais da autarquia são apoiados pelos nossos serviços. As famílias só entram para lá acompanhados pelos serviços da Câmara. Vamos brevemente explicar, com uma comunicação às pessoas e comunicação social, como funciona a atribuição de casas. Somos acusados de não fazer o melhor nessa questão. Nós não temos de resolver tudo, por exemplo despejos. Recebemos por semana duas e três pessoas que são despejadas e que acham que a Câmara é que tem de resolver esse problema e que têm logo que ter casa. Mas nós não temos essa obrigação, nem sequer podíamos porque não temos casas disponíveis. Quem tem de intervir no processo é a Segurança Social que depois nos comunica a nós para essas pessoas entrar no concurso para atribuição de habitações. Esta questão da habitação é um dos grandes problemas sociais que temos de enfrentar”.
Por falar em habitação social, a autarquia tem disponíveis três casas para acolhimento a vítimas de violência doméstica e incêndios por exemplo, sendo que recentemente foi realojada uma família devido a um incêndio.
Um projeto impactante da Ação Social é “O meu bairro não tem paredes”. “É um projeto que está entregue a três Centros Socias, Ermesinde, Alfena e Sobrado. Cada um deles tem três bairros e tem tido grandes resultados porque um Centro trabalha o desporto, outro o teatro, outro a cultura e envolvem muitas atividades e no final são todos juntos. Foi a primeira vez e notam-se diferenças nas pessoas que aderiram ao projeto, estou convencida que se houver continuidade o sucesso será ainda maior”, salienta Manuela Duarte.
Outras vertentes da área social passam pelo Fundo de Emergência Social, que consiste no fornecimento de jantares a várias pessoas carenciadas. O Programa de Apoio Alimentar e as Plataformas Solidárias também funcionam em pleno.

Este serviço é totalmente gratuito para o idoso e o objetivo, refere a autarca “é quebrar o isolamento em que muitos deles vivem. Muitos vivem com a família, mas durante o dia, porque as pessoas trabalham, estão sozinhos e assim aproveitam a oferta da Academia e ocupam de forma salutar o tempo.
Cada atividade tem o seu horário específico e há utentes que frequentam mais que uma atividade.
“A Academia não é uma sala que está aberta todo o dia” salienta Manuela Duarte que acrescenta “temos três salas na Paróquia de Valongo e as aulas são introduzidas conforme o horário, as salas de informática são estanques porque têm lá os computadores, a sala de pintura e de artes decorativas também porque tem os cavaletes e restante material, as outras disciplinas é que variam consoante o horário. Nas restantes academias o funcionamento é similar).
As Academias têm também atividades anuais, como por exemplo o Dia Metropolitano dos Avós (em parceria com a área metropolitana). Manuela Duarte defende que deveria ser uma atividade diferente em se juntassem os idosos do concelho. O Natal é também uma época importante em que, para além do jantar, “é trabalhada a questão sentimental”. A festa de encerramento do ano escolar é outra atividade a destacar. Este ano foi na Malafaia e foi um grande sucesso.

Casa do Xisto – um projeto que é um exemplo

Sobre a atividade do seu pelouro, Manuela Duarte destaca ainda o projeto da Casa do Xisto (Alfena). Neste momento decorrem obras na antiga Escola para acolher em pleno este projeto em Setembro. Neste momento funciona o OTL de férias, na C+S de Alfena e que foi a solução encontrada para esta atividade.
O projeto da Casa do Xisto é pioneiro a nível nacional e trata-se de um exemplo que está já a ser estudado em Portugal e estrangeiro.
O projeto consiste em “momentos de apoio aos pais na deficiência. Vai havendo escolas para os meninos, mas depois saem a determinada hora e são entregues em casa e a casa do Xisto tem o serviço de antes das nove horas e o serviço de depois das cinco horas e também durante o dia. É um ATL da deficiência que é gerido pela Associação Educasom e que fazem toda a intervenção através da arte, seja a pintura, ou a música. A resposta tem sido colossal, a adesão crescente a cada dia que passa e os custos são mínimos para as famílias. Pagam consoante o rendimento, mas com um grande apoio da Câmara Municipal. Neste momento há 18 crianças a frequentar o projeto em cada semana. Há meninos que conseguem fazer mais semanas, mas está dependente de novas inscrições. Este projeto vai funcionar na Escola mais bonita de Alfena, inserida em meio rural e tem uma potencialidade de trabalho incrível”.