“Dá o que deves”

Um grupo de escuteiros de Sobrado passou uns dias (entre 4 e 9 deste mês de julho) em voluntariado na Grécia, junto de uma entidade que acolhe mulheres e crianças.
Para além do trabalho que foram fazer, recolheram também junto das pessoas de Sobrado, uma quantia monetária para oferecer.
Aqui fica o testemunho, para o JNR e para os leitores, destes elementos do CNE de Sobrado, que desta forma prestam o melhor tributo a Baden Powell.

“Dá o que deves”
Foi este o mote que escolhemos para viver este ano escutista 2018/19.
Ao longo do ano fomos desenvolvendo ações de serviço, mas o nosso grande empreendimento vivemo-lo entre os dias 4 e 9 do corrente mês na Grécia.
Um projeto que para muitos seria impossível levou-nos até ás periferias de Atenas, onde encontramos na JRS (Jesuít Refugee service) o nosso primeiro porto.
Esta instituição, com quem trabalhamos acolhe diariamente, crianças de rua e mulheres. Prestam-lhes cuidados de higiene e distribuem alimentação sempre que podem.
Nós, centramo-nos um pouco na educação e na afetividade. Estas crianças não vão à escola, não sabem ler nem escrever, conseguimos facilmente nos aperceber que devido às circunstâncias de vida de cada um, são crianças sofridas e revoltadas, sem carinhos. Já as mulheres escondem por detrás do seu manto a tristeza e o medo. Juntos jogamos e desenvolvemos atividades manuais.
Com os responsáveis da instituição discutimos a melhor ajuda que podíamos deixar aqueles seres nossos irmãos. Juntos, decidimos investir alguns dos euros oferecidos pela nossa comunidade em leite, bolachas, chás e cereais. Também oferecemos cadernos, marcadores e material didático. A JRS para além do Tea Time tem ainda uma loja social onde no ano passado entregaram roupas a mais de 1300 pessoas.
Quase ainda não tínhamos fechado os olhos e já nos encontrávamos no Eleonas Refugee Camp. Foi aqui que mais nos impressionamos, um campo destinado inicialmente apenas a acolher crianças que têm a “felicidade” de saírem das ilhas, está ocupado com mais de 3600 pessoas de cerca de 12 países. Aqui os colaboradores da instituição têm um trabalho muito cuidadoso, fazem de tudo por organizar as pessoas por religiões e etnias, por sua vez muito desgastante, pois nem todos colaboram, chegando mesmo a exigir tratamentos culturais muito difíceis de desenvolver.
As crianças presentes num espaço reservado do campo têm as mais notadas histórias de vida. Não é permitido captar o rosto de nenhuma, mas os seus olhares penetraram o nosso íntimo. Muitas nem se quer sabem das suas famílias mas têm uma certeza! Voltar aos seus países? Nunca!
Apesar da dificuldade da língua, comunicamos muito, mesmo muito, através de jogos, músicas, origamis ou simplesmente com a nossa presença.
Foi a estas crianças que deixamos a grande fatia do bolo monetário que levamos da nossa comunidade. Este foi usado para aquisição de algumas bicicletas assim como produtos de higiene pessoal e medicamentos.
Muito obrigado à nossa comunidade, à Francisca Onofre da JRS, Konstantina Karakatsani e Mariana Fragkou da IOM, ao Giannis Mpougas que nos deu abrigo na sede de escuteiros de Penteli e a Joana Bacelar da junta central do CNE
Conseguimos, sim conseguimos! Não foi fácil lá entrar. Dizem que fomos até os primeiros escuteiros a lá chegar! Trabalhamos com pessoas de maior vulnerabilidade (os pobres dos pobres, os que ficam à margem, aqueles que ninguém gosta de falar sobre eles…) vimos muitos, muitas famílias no calor dos 41 graus que se faziam sentir, em tendas à espera de autorização para atravessarem o muro!
Regressamos cansados, mas sem dúvida alguma mais fortes!!
Tudo é possível a quem acredita!

Comunidade de pioneiros do agrupamento 1329 de Sobrado.
Pioneiros: Ana Catarina, Gabriela Coelho, Renato Pacheco, Mariana Ribeiro, Cátia Sousa e Pedro Coelho
Dirigentes: Albertina Sousa e António Santos

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