Confraria do Pão, Regueifa e Biscoito de Valongo organiza IV capítulo

ENTREVISTA À PADEIRA-MOR DA CONFRARIA DO PÃO, REGUEIFA E BISCOITO DE VALONGO, Rosa Maria Rocha

A Confraria do Pão, da Regueifa e do Biscoito de Valongo foi fundada há quatro anos.
Aproveitando a realização de mais um capítulo (dia 2 de junho, domingo) quisemos conhecer o balanço deste tempo de atividade. Para isso ouvimos Rosa Maria Rocha, a padeira-mor, ou seja principal dirigente da Confraria.
Começando por explicar o que é uma confraria, a dirigente refere que “é uma Associação sem fins lucrativos que visa preservar certos valores. No nosso caso, somos uma Confraria Gastronómica criada para prestigiar, defender, divulgar os valores e tradições ligadas ao pão, em geral, e à regueifa e biscoitos, em especial.
Uma Confraria tem características específicas e um ritual próprio que tivemos que criar.
Algumas particularidades da nossa Confraria:Os símbolos do poder da Confraria são a PÁ – a ser usada pelo Presidente da Direção – e o VASCULHO – a ser usado pelo Mestre-de-cerimónias.

Os nomes dos nossos órgãos e dos seus titulares são: Assembleia Geral – BISCOITARIA e os seus membros são o Biscoiteiro-mor, o Biscoiteiro e o Amassador de Biscoiteiro; Direção – PADARIA e os seus membros são o Padeiro-mor, o Padeiro, o Amassador Padeiro, o Forneiro e os Ajudantes de Padeiro; Conselho Fiscal – MOINHO e os seus membros são o Moleiro-mor, o Primeiro Moleiro e o Segundo Moleiro”.
Aquando da fundação, as confrarias escolhem as “madrinhas”, ou seja outras confrarias para marcarem esta data. “Sendo nós uma Confraria do pão que acompanha toda a refeição e do biscoito que acompanha o café, escolhemos para madrinhas a Confraria do Presunto e da Cebola do Vale do Sousa, que simboliza a entrada de uma refeição; a Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno, que simboliza o prato principal; a Confraria dos Vinhos Verdes, que simboliza o néctar que acompanha toda a refeição, sendo que escolhemos o vinho verde, por ser o vinho da nossa zona; e a Confraria do Queijo da Serra da Estrela, que simboliza uma sobremesa nobre” explicou Rosa Maria Rocha ao JNR.
A padeira-mor explicou que “na criação da confraria procuramos envolver muitos “valonguenses”, escrevi entre aspas porque estou a referir-me a valonguenses do concelho de Valongo, pois nós somos uma associação concelhia. Como ia dizendo, procuramos envolver muitos valonguenses, por isso, no 1º Capítulo, fomos entronizados 99 Confrades efetivos e 7 confrades honorários. Hoje já somos 125 Confrades efetivos, 14 confrades honorários e 1 confrade benemérito”.
No capítulo que ocorre dia 2 de junho vão ser entronizados mais 17 novos confrades efetivos e 3 confrades honorários. Uma particularidade, este ano, 7 dos novos Confrades efetivos são de Ermesinde, sendo 4 produtores.
Concretamente acerca do balanço destes quatro anos de atividade, a padeira-mor da Confraria do Pão, Regueifa e Biscoito de Valongo refere que “é francamente positivo. Passo a referir, apenas, algumas atividades. Além do nosso Capítulo anual, da colaboração com a Câmara Municipal e com a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, em tudo o que nos é solicitado, fazemos dois Concurso anuais – o da Melhor Sopa Seca, em Valongo, e o da Melhor Rabanada, em Ermesinde, estando estes eventos associados a um fim de solidariedade. Realizámos, em colaboração com Câmara Municipal e os Agrupamentos de Escolas aderentes, para o 4º ano de escolaridade, a atividade “Pequenos Almoços à moda antiga” em que um Confrade padeiro vai às escola fazer um workshop sobre como se fabrica o pão, fazendo o pão desde o pegar na farinha até o retirar do forno. No final, os alunos tomam um pequeno-almoço com o pão quentinho com manteiga e cevada ou leite ou chá. Vamos, todos os anos, a uma Escola de Hotelaria fazer um showcooking de sopa seca; em colaboração com a Escola Secundária de Valongo e com a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Politécnico do Porto, nossas Confrades Honorárias, fazemos um jantar de inovação com os nossos produtos – o pão e os biscoitos – e temos tido agradáveis surpresas”.
Do leque de atividades faz ainda parte a promoção de Valongo e dos produtos que motivaram a criação da confraria. Refere Rosa Maria Rocha: “levamos longe a nossa terra e os nossos produtos, pois fomos ao Programa “a Praça” da RTP1 e ao Programa “Alô Ricardo” do Porto Canal, e fomos a mais de 50 Capítulos em Espanha e em todo o Portugal, incluindo as regiões autónomas.
Nós temos divulgado muito bem Valongo e os produtos que representamos – o pão a regueifa e os biscoitos. Todos conhecem os nossos biscoitos. A todos os Capítulos que vamos, levamos os nossos biscoitos para acompanhar o café. Aliás, os nossos confrades produtores de biscoitos têm sentido os efeitos da nossa divulgação pelo aumento da procura e consequentemente das suas vendas”.
Aproveitando a realização do concurso Sete Maravilhas Doces de Portugal e da escolha, pela organização, da sopa seca em detrimento de outros produtos, como biscoitos, para representar Valongo, a nossa interlocutora diz que “qualquer dos produtos que concorreram seriam boas escolhas para representar Valongo! A selecionada foi a sopa seca … é uma boa escolha para representar Valongo e dar a conhecer esta tradição das nossas famílias, de fazer do pão velho uma iguaria para melhorar uma refeição com uma sobremesa, sobretudo pelo Carnaval e pelos Santos”.
Quanto ao futuro, a padeira-mor da confraria valonguense, diz que “queremos consolidar a nossa Confraria, continuar com os projetos que nos são mais queridos – os Pequenos-almoços nas Escolas, se queremos manter as nossas tradições temos que as passar aos mais novos e a idade ideal é a do 4º ano de escolaridade; queremos continuar a fazer o Concurso da Melhor Sopa Seca e da Melhor Rabanada e vamos criar mais um concurso, noutra freguesia – Campo. Por fim, à medida que vai passando o tempo, o nosso espólio de ofertas das Confrarias que visitamos vai aumentando, pelo que gostaria, neste segundo e último mandato, de deixar a confraria instalada num local onde pudéssemos guardar e expor o que temos”. Questionada sobre a importância da futura Oficina do Pão, Regueifa e Biscoito, Rosa Maria Rocha afirma não conhecer em pormenor o que vai ser feito, dizendo que o objetivo da Câmara de Valongo é que sirva para divulgar este setor. “O objetivo da Câmara é esse, por isso estou certa que vai implementar um plano de ação que leva à concretização desse desiderato”, disse a padeira-mor.
Finalmente acerca da Feira da Regueifa e do Biscoito, salientou ser “uma atividade interessante para a divulgação de Valongo e das suas indústrias de panificação e de biscoitaria, que atrai muitos visitantes, o que é importante. A criação da Confraria do Pão, da Regueifa e do Biscoito de Valongo, bem assim como os Capítulos anuais tiveram e têm lugar, precisamente, na altura da Feira e integrados no seu programa”.