Centro Hípico de Valongo e a natureza à porta da cidade

A Academia de Formação Equestre e Hipoterapia de Valongo ou, numa forma mais comum, Centro Hípico de Valongo (CHV), está a tornar-se num autêntico espaço multifacetado de contacto com a natureza, às portas da cidade, tornando-se uma natural mais-valia para o Parque das Serras do Porto. Situa-se na Rua da Mourama, em Campo, Valongo.

Para além do objetivo principal, o relacionado com a o ensino da equitação, o Centro Hípico de Valongo está a construir pouco a pouco uma Quinta Pedagógica, que tem sido uma autêntica delícia para as crianças, jovens e menos jovens que usufruem do espaço.

Com um espaço para a criação de legumes e outro para animais de quinta, o CHV tem vindo a cultivar desde favas, cebolas, alface, feijões, couves e ervilhas entre outros. Refere o diretor Miguel Brandão que “muitas crianças que aqui vêm nunca tinham visto uma alface ou feijões a não ser no supermercado e ficam admirados com o que vêm. Queremos aumentar a área de cultivo, mas precisamos de terra boa para avançar.”

Quanto a animais o CHV possui 3 vacas, galinhas, porcos (que normais quer mini pigs) coelhos e cabras. Aliás neste momento um projeto interessante é o das cabras sapadoras, (cerca de 70) que ao irem para o monte pastar, contribuem para a limpeza da mata protegendo-a dos incêndios. A atividade de pastoreio aliás é uma das incluídas nos diversos campos de férias organizados pelo CHV e por outras entidades que recorrem a esta parceria. Refere Miguel Brandão que “os campos de férias que levamos a cabo com apoio do IPDJ são o dois em um, por um lado os jovens levam o rebanho e têm contacto com a serra e a natureza e por outro as cabras contribuem para diminuir os incêndios”.

A propósito de incêndios refira-se que o CHV leva a cabo, na época do verão, a vigia das serras, seja a cavalo seja a pé, atividade sempre com grande procura por parte dos utentes. No ano passado participaram 45 voluntários nesta ação, apoiada pelo IPDJ e Câmara de Valongo.

Mas a atividade do CHV é principalmente relacionada com cavalos. Neste momento a Escola de Equitação tem cerca de uma centena de alunos, de várias idades. No que se refere à competição, apenas alguns dos jovens têm participado devido ao elevado custo da modalidade. Um fim de semana pode chegar aos 500 euros de despesa para o binómio atleta/cavalo.

Importante, até pelo alcance social que tem, é a vertente da Equitação Terapêutica. Atualmente abrange cerca de 80 utentes da Ala de Psiquiatria do Hospital de S. João, Centro Paroquial e Social de Alfena e Agrupamentos de Escolas de Valongo e Vallis Longus. Para Miguel Brandão “esta é uma atividade de fazemos com gosto, conseguimos ver a satisfação que muitos utentes têm ao montar um cavalo. Alguns ficam à espera ansiosamente do dia da semana em que vêm cá. A contribuição que recebemos desta ação não chega para os custos, mas é uma alegria ver o sorriso nos rostos destas pessoas.”

O CHV conta com o trabalho de três formadores ou monitores, mais três funcionários de secretaria e manutenção, para além dos colaboradores requisitados quando há Campos de Férias. E estes acontecem no Natal, Páscoa e Férias Grandes. “Devido ao que nós oferecemos no que se refere ao contacto com a natureza, os Campos de Férias são cada vez mais procurados”, diz o diretor do CHV, que alude ainda às parcerias com várias entidades, por exemplo Câmara de Valongo com o projeto Toka a Mexer. Os campos de férias incluem todas as atividades do CHV, quer sejam as relacionadas com a equitação, quer com a quinta pedagógica.

Mas o CHV tem ainda outra vertente, trata-se de levar ao exterior a sua atividade, com a participação em feiras e eventos. Por exemplo na recente Vila Doce (na Vila Beatriz, Ermesinde), os animais que levaram foram um sucesso.

O CHV possui também um viveiro onde foram semeadas árvores autóctones. Mais de 200 árvores foram cedidas a escolas do concelho para serem plantadas e brevemente serão cedidas mais. Esta ação faz parte do projeto mil bolotas, mil árvores.

Neste objetivo de contacto e proteção da natureza o CHV desenvolve ainda, várias vezes por ano, ações de limpeza da floresta, quer sejam integradas noutras ações, quer sejam levadas a cabo por si só.

Os jogos tradicionais portugueses são outra oferta a quem participa nos campos de férias ou ações de empresas ou grupos e um restaurante com pratos típicos está também à disposição dos frequentadores do espaço. Durante o verão há ainda uma esplanada com bar a funcionar.

Para breve está o aumento da oferta com seis bicicletas de montanha. Refere Miguel Brandão que “a ideia é ceder a bicicleta gratuitamente em troca de um saco de lixo recolhido da floresta”. Entretanto, o CHV funciona como base logística do projeto da Câmara de Valongo, Trilhos Equestres de Valongo.

Como disse Miguel Brandão ao JNR “este espaço é adequado para que uma família venha passar um ou dois dias em contacto com a natureza. Há sempre atividades para todas as idades”.

Texto: Agostinho Ribeiro
Fotos: Agostinho Ribeiro e Centro Hípico de Valongo