“Parque das Serras do Porto será uma mais valia para toda a região”

O Jornal Novo Regional entrevistou o presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins, com o objetivo principal de abordar a questão do Parque das Serras do Porto, mas onde houve oportunidade para falar de outros temas da atualidade gondomarense.

A ideia da criação de um parque envolvendo as serras de Gondomar, Paredes e Valongo é antiga, mas só há três anos é que o projeto do Parque das Serras do Porto avançou, o projeto viu a luz do dia após a criação de uma associação intermunicipal envolvendo os municípios de Gondomar, Paredes e Valongo.
O autarca de Gondomar vê o parque como uma mais valia e um fator agregador e refere a importância da classificação como um projeto interesse metropolitano e como paisagem de área protegida.

Quanto à recetividade das pessoas para esta realidade do Parque das Serras do Porto, Marco Martins referiu ter havido de início alguma incompreensão, por exemplo dos motards e de alguns proprietários, mas que “agora todos entendem as vantagens do parque, sendo um projeto que irá beneficiar as gerações futuras”.

No que diz respeito aos benefícios do Parque das Serras do Porto, Marco Martins lembrou que as pessoas, hoje não param e por esta razão, “há necessidade destes espaços para relaxarem”. O presidente da Câmara de Gondomar, disse também que as populações do Grande Porto irão ter um novo lugar onde podem praticar vários desportos e ter um pouco de lazer, visto que este possui bonitas paisagens, sobre os concelhos de Valongo, Gondomar, Paredes e sobre os Rios Ferreira e Sousa.
O Parque foi ainda criado com a vertente da defesa do ambiente. O presidente da Câmara afirmou que foram necessários vários acordos com os proprietários das áreas, havendo uma preocupação com o ambiente, tal como, a proteção da fauna e da flora. Outra das vantagens deste parque é que se vai poder trabalhar melhor na segurança contra incêndios, disse Marco Martins.

Quanto ao regulamento e ao plano de gestão do Parque, Marco Martins disse que estão a ser desenvolvidos e que o número de participantes nas sessões de esclarecimento tem vindo a crescer. O presidente da Câmara Municipal de Gondomar acrescentou que agora estão a surgir vários pedidos de parcerias de empresas de turismo, já que algumas plataformas de reservas de viagens já referem o Parque das Serras do Porto, com um ponto obrigatório a visitar.
Marco Martins destacou o facto do investimento efetuado até agora ter estado somente a cargo dos municípios, não havendo ainda qualquer participação do Estado central.

Sobre a questão concreta de S. Pedro Cova, freguesia afetada pela deposição de lamas e que integra a área do Parque, o presidente da Câmara Municipal de Gondomar afirmou que o município pensou em aumentar a área até São Pedro da Cova, pois é uma zona histórica mineira, onde existem o museu do mineiro e outras áreas de cultura.

Gondomar teve enorme visibilidade em 2017, uma vez que foi capital Europeia do Desporto, tendo alcançado os objetivos propostos, afirmou o autarca, acrescentando que foi colocada, na população, a semente da prática do exercício físico, e que agora está a crescer.

O município foi notícia devido ao chumbo do Tribunal de Contas ao empréstimo para o pagamento da divida da Câmara de Gondomar à EDP.
Resulta dos vários acordos efetuados ao longo dos anos entre a autarquia gondomarense e a EDP, que o município devia ter pago 48 milhões de euros até dezembro de 2017. Como esta solução não era viável, a atual Câmara realizou um acordo com a EDP, onde a empresa de eletricidade perdoava trinta por cento da divida e Gondomar pagaria 28 milhões, sendo que continuava com o empréstimo para o pagamento da divida do concelho, mas terminava o tema EDP. O presidente da Câmara de Gondomar afirmou não estar de acordo com o chumbo do Tribunal de Contas ao contrato de empréstimo, lembrando que por esta razão, a Câmara não pode contratar pessoas para os seus locais de trabalho.

A questão financeira é mesmo o grande problema da autarquia gondomarense. Marco Martins afirmou que quando chegou à Câmara, em 2013, havia um orçamento de 68 milhões de euros e uma dívida de 141 milhões de euros. Além desta divida, o município teve 22 milhões de euros em condenações, onde estava incluída a questão dos fertilizantes, e o problema com a EDP.
Mas não são estes problemas que impedem a concretização de planos de estruturais para Gondomar. Marco Martins disse ao JNR que, por exemplo, estão a ser construídos vários parques, nomeadamente, de Rio Tinto e São Cosme, decorre um plano para o parque urbano de São Pedro da Cova, perto do Museu do Mineiro. Outras das obras que a Câmara de Gondomar quer concretizar é a construção do cais da Lixa, para navios de grande porte, e a construção de passadiços nas margens do Rio Tinto, entre Rio Tinto e o Freixo.

A autarquia vai avançar com o saneamento da Encosta, que liga a estrada D. Miguel a São Pedro da Cova, visto que as populações que vivem nesta zona não possuíam saneamento, um desejo que tem mais de um século.

Sobre o aproveitamento ou falta dele das potencialidades do Rio Douro, o presidente da Câmara deu exemplos de várias obras, nomeadamente o posto de pesca da Lampreia, e a ligação entre a Lomba e Melres, que ao longo de muitos anos, esteve parada.

Já quanto ao prolongamento da linha do metro até Gondomar, o presidente disse existirem vários projetos, nomeadamente, o de Fânzeres a Gondomar e o de Campanhã-Valbom- Gondomar. Marco Martins afirmou que retraçaram o caminho da linha da ligação entre Campanhã e Gondomar, para que este servisse mais populações. Hoje a Câmara espera pelo governo para a construção desta linha, afirmou o presidente e salientou que “o investimento do prolongamento da linha do Metro até Gondomar não é um “flop”, mas sim um projeto sustentável”.